Escolher o regime tributário errado pode custar dezenas de milhares de reais por ano — e a maioria das empresas escolhe uma vez e nunca mais revisa. Entenda os três regimes e como comparar na prática.
Este conteúdo é informativo e explica os conceitos gerais. Limites, alíquotas e regras mudam com frequência, e a escolha ideal depende dos números da sua empresa — sempre valide com o seu contador antes de decidir.
Os três regimes, em uma frase cada
- Simples Nacional: unifica vários tributos em uma guia só (DAS), com alíquota que varia conforme o faturamento e a atividade. Feito para simplificar a vida de micro e pequenas empresas.
- Lucro Presumido: o governo presume uma margem de lucro sobre o faturamento e cobra imposto sobre ela — independentemente do lucro real que você teve.
- Lucro Real: o imposto incide sobre o lucro efetivamente apurado na contabilidade. Dá mais trabalho, mas paga-se sobre o que realmente sobrou.
Como cada um funciona na prática
Simples Nacional
É o mais popular entre pequenas empresas. Você recolhe tributos federais, estaduais e municipais numa guia única, com alíquota definida por tabelas (os "anexos") conforme a atividade e o faturamento dos últimos 12 meses.
A armadilha: Simples nem sempre significa mais barato. Empresas de serviços com poucos funcionários podem pagar bem mais no Simples do que no Presumido, dependendo do anexo em que se enquadram. Vale a comparação com números reais.
Lucro Presumido
O imposto é calculado sobre uma margem presumida do faturamento (um percentual fixo definido por atividade), e não sobre o seu lucro real. Se a sua margem verdadeira é maior que a presumida, você ganha. Se é menor, você paga imposto sobre um lucro que não teve.
Lucro Real
Aqui o imposto incide sobre o lucro apurado na contabilidade — receita menos custos e despesas dedutíveis. É obrigatório para empresas acima de determinado faturamento e para alguns setores (como instituições financeiras), e é opcional para as demais.
Quando compensa: empresas com margem apertada, prejuízo ou muitos custos dedutíveis. Se você teve prejuízo, no Lucro Real não há IRPJ e CSLL a pagar sobre lucro que não existiu — no Presumido, haveria.
Regra prática: margem alta tende a favorecer o Presumido; margem baixa ou prejuízo tende a favorecer o Real; faturamento pequeno com estrutura enxuta costuma favorecer o Simples. Mas só a simulação com seus números decide.
Como comparar de verdade
- Levante seu faturamento real dos últimos 12 meses, separado por atividade.
- Apure sua margem de lucro verdadeira — é aqui que a DRE se torna indispensável. Sem saber sua margem, é impossível comparar Presumido e Real.
- Simule os três cenários com o contador, usando os mesmos números.
- Considere o custo de conformidade. O Lucro Real exige contabilidade completa e organizada — o que hoje é muito mais viável do que era há alguns anos.
- Revise todo ano. A empresa muda, a margem muda, a lei muda. A opção é anual.
O que a maioria erra
- Escolher "no chute" e nunca revisar. O regime que fazia sentido no primeiro ano pode estar caro hoje.
- Não ter contabilidade organizada. Sem saber a margem real, você não consegue nem comparar os regimes.
- Ignorar a folha de pagamento. Em alguns anexos do Simples, o peso da folha muda drasticamente a alíquota efetiva.
- Esquecer da reforma tributária. A transição em curso muda o cenário nos próximos anos.
Nenhuma simulação de regime funciona sem números confiáveis. A Kontio mantém sua contabilidade em dia e sua DRE atualizada em tempo real — a base que você e seu contador precisam para comparar os regimes com dados de verdade, não com estimativas.
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